quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Puto curioso

Os fenómenos naturais desde cedo me suscitaram curiosidade e admiração, sempre que rompe uma trovada, fico fascinado e adoro observar os raios irrompendo pela atmosfera. Nisto saio ao meu pai, que uma noite de temporal, ignorando os lamentos de minha mãe, foi para a praia apreciar uma enorme trovada que se tinha formado.

A minha religião:

O nascer e um pôr do sol, o nascer de uma lua cheia, para mim sempre foi talvez o mais parecido que muita gente tem como religião, para mim é espiritual, fantástico, avassalador contemplar e apreciar um destes espetáculos. Ainda hoje, quase todas as noites antes de me deitar, se o céu estiver limpo, o meu olhar e pensamentos vão para as estrelas, as GRANDES MAJESTADES que reinam no breu infinito.

A curiosidade nasce cedo:

Desde cedo que me lembro de nutrir uma necessidade de saber, entender o porquê das coisas, especialmente tudo o relacionado com fenómenos naturais. De muito novo comecei a interrogar-me porque o Sol brilha, nasce e se põe, porque a lua aparece ora cheia ora vazia, porque o céu de noite se acende cheio de pontinhos brilhantes.
Uma vez durante uma trovoada, perguntei à minha mãe de onde vinham os trovões, cuja resposta foi que: "era Deus quando se zanga", assim como de onde vinha a chuva cuja resposta foi que: "era Deus quando estava triste chorava". Sempre fiquei com a intuição que as respostas de minha  mãe não faziam muito sentido, que tudo era mais complexo que Deus estar triste ou zangado. 

O devora livros:

Assim que completei sete anos, fiz-me sócio da biblioteca municipal e além de ler livros próprios para a minha idade, á medida que ia tendo consciência do universo e dos seus fenómenos, e a minha curiosidade se adensava, comecei a devorar literalmente livros que ás ciências diziam respeito. Acho que durante os anos que fui sócio, li praticamente todos os livros da biblioteca, e esta era grande e bem abastecida.

Um país cego com professores míopes:

A minha aptidão para estes fenómenos era tal, que na quarta classe, uma redação minha, feita na aula num dos exercícios escolares foi premiada e exposta durante algum tempo na portaria, dado o seu teor invulgar, naquele tempo, para um puto da minha idade:

Infelizmente o texto não está completo, continuava e terminava com um desenho alusivo na página seguinte do caderno que se perdeu.
Só tenho pena que nenhum professor, notando em mim essa aptidão, tivesse tido a sensibilidade de me incentivar e ajudar a delinear o meu futura na área da astronomia, pois isso foi sempre o que desejei ser quando fosse grande.

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