Quando contemplamos aquela estrela distante, o pôr do sol, o amigo com quem conversamos ou a chávena de café que estamos a tomar, estamos vendo o passado. Para onde quer que olharmos o que estamos a ver já não existe tal como o é realmente.
A sapiência de um visionário:
"...Numa noite estrelada, muito antes do invento do telescópio, um homem passeava com seu filho quando este lhe perguntou:
-Pai, os fantasmas existem?
Sorridente o pai respondeu:
-Quais estes aqui da terra? Estes não de certeza, mas olhas para cima e vês o céu cheio deles.
-Como assim pai? Retorquiu o garoto.
Vez aqueles pontinhos brilhantes que cobrem todo o céu, são estrelas como o nosso sol, muitas bem maiores até, só que encontram tão longe que deles só se vislumbra um pequeno ponto..."(1)
O que este homem inteligente, curioso e visionário, com ideias e sapiência muito avançadas em relação a sua época entendeu e tentou explicar ao filho, é que quando olhamos para o céu e contemplamos as estrelas, algumas destas já não existem, o que chega a nossa retina é a sua luz que continua a atravessar o espaço devido ás astronómicas distancias a que estes astros se encontram de nós.
A pessoa para quem olhamos já não é, era:
O mesmo fenómeno se passa quando conversamos com um amigo ou observamos uma pessoa na rua a passar, não a vemos com ela é mas sim como ela era:
"…se você estiver olhando para um amigo a três metros, na outra extremidade da sala, não o verá como é agora mas sim como era a um centésimo de milionésimo de segundo atrás [ (3 m)/ (3 x 108 m/s) = 1/ (107/s) = 108 s, ou um centésimo de um micro segundo.] Neste cálculo dividimos meramente a distância pela velocidade para ter o tempo da viagem…"(2)
Pôr do Sol, uma magnifica ilusão:
Quando apreciamos um pôr-do-sol, estamos perante uma ilusão, pois este já se pôs há precisamente 8 minutos atrás. Se a nossa estrela hipoteticamente desaparecesse só passados 8 minutos é que aqui na terra nos daríamos conta do fato, pois este é o tempo que a luz do sol demora a chegar até nós.
"…Por exemplo, se o Sol deixasse de brilhar neste mesmo momento, não afetaria os acontecimentos atuais na Terra Só saberíamos o que se tinha passado daí a oito minutos, o tempo que a luz do Sol leva a alcançar-nos. Do mesmo modo, não sabemos o que está a passar-se neste momento mais longe no Universo: a luz que nos chega provinda de galáxias distantes deixou-as há milhões de anos; a luz do objeto mais longínquo que conseguimos avistar deixou-o há já cerca de oito mil milhões de anos. Assim, quando observamos o Universo vemo-lo como ele era no passado…"(3)
"…um sol inteiro pode se apagar e continuaremos a vê-lo brilhar resplandecentemente; é bem possível que, por eras, fiquemos sem saber de sua morte – na verdade, durante o período do tempo que a luz, de velocidade assombrosa mas não infinita, leva para cruzar a imensidão intermediária. As imensas distâncias até as estrelas e as galáxias significam que todos os corpos que vemos no espaço estão no passado – alguns deles tal como eram antes que a Terra viesse a existir. Os telescópios são máquinas do tempo…"(4)
Perante os fatos todos podemos concluir que afinal vivemos num estado ilusionário permanente. Os fantasmas existem e estão por todo o lado até onde a nossa vista alcança.
Referencias:
- (1)Extraído do programa Cosmos: Odisseia do Espaço de Neil Tyson
- (2)Estrato do livro Cosmos de Carl Sagan
- (3)Extrato do livro Uma Breve História do Tempo Do Big Bang aos Buracos Negros de Stephen W. Hawking
- (4)Extrato do livro Pálido Ponto Azul de Carl Sagan
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